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De forma participativa, cineclubes do Estado são opções para o acesso ao cinema

No Espírito Santo e em grande parte do Brasil, o desaparecimento das salas de cinema de rua contribuiu para a concentração do público nos shoppings. Nestes ambientes, grandes complexos de consumo, os cinemas seguem a mesma proposta das lojas: lucro. Desta forma, ficam à disposição da população, em sua maioria, obras de consumo rápido e em massa. Devido a linha comercial adotada pelas redes de cinema, poucas produções nacionais ou locais entram nos circuitos de exibição. Se não frequentar espaços alternativos, parte do público, que não têm condições de arcar com os preços dos ingressos, fica de fora das salas. É nesse terreno que entram os cineclubes. foto: Divulgação OCCa - Organização dos Cineclubes Capixabas Membros da OCCa (Organização dos Cineclubes Capixabas) Espalhados em vários municípios do Espírito Santo, 21 cineclubes - segundo a Organização dos Cineclubes Capixabas (OCCa) - tentam facilitar o acesso das comunidades ao audiovisual, além de exibirem obras negligenciadas pelas salas comerciais. "A gente dá prioridade aos curta-metragens capixabas e aos filmes nacionais. Os comerciais a gente não passa muito", diz Juliana Gama, presidente do Cineclube Colorado, localizado em Cariacica. Veja os destaques do canal Divirta-se Embora muita gente ainda não entenda o que é um cineclube, a atividade começou a se formar na década de 20 do século passado e se fortaleceu ao longo dos anos, beneficiada pela fundação de outros espaços alternativos de construção cinematográfica. Três aspectos diferenciam os cineclubes das demais atividades com cinema: estrutura democrática, compromisso cultural ou ético e ausência de fins lucrativos. Mesmo que haja lucro financeiro, os resultados têm, por lei, que ser reinvestidos na própria atividade. Estrutura participativa e democrática Bem mais novo que as primeiras iniciativas é o Cine Colorado, que têm dois anos de existência. "Nosso cineclube se mantém por paixão e por ajuda de amigos", conta Juliana, que viu a associação que preside ser contemplada pelo edital Rede Cultura Jovem em 2011, quando conseguiu comprar equipamentos para otimizar as exibições. O Colorado não é exceção. A maioria dos cineclubes sobrevive com a ajuda dos próprios membros. Leonardo Almenara, presidente da OCCa, explica que a organização das associações é inteiramente democrática, embora a estrutura varie de acordo com as peculiaridades de cada cineclube: "O movimento cineclubista é construído pelos membros que frequentam os espaços. Os próprios participantes organizam os locais de exibição, ajudam com equipamentos e escolhem as programações." Juliana Gama endossa a explicação de Leonardo: "O que carateriza um cineclube é sua estrutura democrática, da escolha do filme que será exibido até assuntos administrativos. Todos opinam." Se não há apoio externo, como um cineclube se mantém? As associações, na verdade, podem firmar parcerias com iniciativa privada ou pública, desde que haja o interesse comum de difundir aspectos da cultura. Os editais, por exemplo, exercem papel importante na manutenção dos espaços. "Quando os editais de 2010 para cineclubes foram abertos, a gente não conseguiu se organizar para mandar os projetos, pois ainda não existia a OCCa. Sem demanda, o governo retrocedeu. Mas agora, neste ano, já estamos nos organizando para apresentar as propostas", explica Leonardo, que se tornou presidente da organização um ano após o seu surgimento. Leia mais notícias de Cinema foto: Divulgação OCCa - Organização dos Cineclubes Capixabas Exibição do Cineclube Colorado na EMEF Stélia Dias, em Cariacica Um exemplo de cineclube com apoio é o Cinescam, localizado na Faculdade Emescam, em Vitória. Parceiro do Ministério da Cultura (MinC), o espaço completa o primeiro aniversário em 2012. Coordenado pela professora Hingridy Fassarella, o Cinescam tem programação semanal e funciona da mesma forma participativa que os outros cineclubes. "A gente se reúne com os alunos e a comunidade para decidir os filmes que vão passar. A média de público varia, mas nas últimas duas sessões nós tivemos cerca de 40 pessoas em cada", conta Hingridy. Mais do que uma sessão Em um contexto social de periferias e cidades do interior do Espírito Santo, as oportunidades de assistir a um filme no cinema são menores. Os cineclubes, então, cumprem não só o papel de espaço para veiculação de filmes alternativos, mas de ambiente primordial para o acesso ao audiovisual. "Tem muito público nas periferias. Uma vez exibimos um filme numa praça e deu muita gente. Além disso, nesses espaços, se a gente não levar o cinema até lá, eles não têm acesso", diz Leonardo. A veiculação, porém, não encerra o papel da atividade cineclubista. A produção de sentido, como Leonardo explica, só é alcançada com a tradicional conversa pós-filme: "Tão importante quanto a exibição é o momento do debate. Ali é possível analisar o filme esteticamente, mas também refletir sobre a realidade social em que a obra está inserida." Segundo ele, alguns filmes têm assuntos direcionados exatamente para fomentar as discussões. No Cinescam, por exemplo, foi exibido o filme "Rosetta" na semana das comemorações ao Dia Internacional da Mulher. A obra trouxe a temática do mundo feminino ao público que esteve na sessão e ilustrou um dos papéis dos cineclubes: a reflexão além do filme. Sobre a importância deste momento, a professora Hingridy Fassarella finaliza: "A formação do ser humano não é só profissional. Quando ele interage com a arte e com outras pessoas, ele tem maior possilidade de crescimento."

Fonte: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/03/divirta_se/noticias/cinema/1151743-de-forma-participativa-cineclubes-do-estado-sao-opcoes-para-o-acesso-ao-cinema.html

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